“KUIRARTISAR AS MASTURBAÇÕES FASCISTAS: como inventar para si políticas de descontrole”.

Edital prorrogado até dia 20 de maio

CHAMADA PÚBLICA

Por meio da presente chamada pública, a Editora Devires convida a todas e todos a submeterem propostas de textos inéditos para compor a coletânea “KUIRARTISAR AS MASTURBAÇÕES FASCISTAS: como inventar para si políticas de descontrole”.

Apresentação

Ao se produzir e estabelecer hegemonicamente certa maneira de experimentar o mundo, a si mesmo e os/as outres, a sociedade cisheteronormativa limita as multiplicidades das experiências dos territórios existências a um jogo binário de valores. Ao sermos subjetivades e, neste processo, incitades a nos identificar com modelos de conduta pautados em representações binárias, quando nos deparames com vidas que deslocam e embaralham a lógica binária cisheteronormativa, o que surge em um primeiro momento, são inquietações em relação à inteligibilidade desses lugares de fala e posicionamentos éticos/políticos/estéticos. A noção de identidade fixa e de uma “essência” do eu é colocada em xeque frente às narrativas e expressividades que deslocam, por meio de processos de (re)existência e invenção, o status quo de normalidade e as estratégias de normalização do sistema sexo/gênero/desejos/práticas sexuais.

Tratam-se de vozes subalternas, corpos abjetos e desejos indesejáveis que se colocam em cena para tencionar os saberes e as culturas dominantes e hegemônicas, questionando as cisbinaridades e as políticas identitárias agenciadas pelas e nas relações centradas na cisheteronormatividades. Tais narrativas começam a ganhar outras proporções quando no início dos anos 1990 acontece, no contexto brasileiro, uma aproximação e apropriação das proposições dos Estudos e Perspectivas Queers que possibilitaram e fortaleceram, a partir daí, outros olhares e percepções das realidades e dos modos de vida, os quais, de certa maneira, já se apresentavam subvertendo e questionando a lógica da organização social cisnormativa, naturalizante e hegemônica brasileira, no tocante às identidades, diferenças, gêneros, sexualidades e privilégios.

Assim, diante das múltiplas expressividades culturais de nosso país e das políticas de localização que agenciam sexualidades, gêneros, desejos e práticas sexuais em suas especificidades regionais e urbanas, faz-se importante pensar nas trocas, interações e afetações que são vividas singularmente a partir das discussões, proposições e articulações que os Estudos e Perspectivas Queers trouxeram para o Brasil.

Considerando a urgência de se pensar a vida por vias mais inventivas e menos capturadas pelo “cistema” organizador das sexualidades e gêneros, assim como a necessidade em dar visibilidade para o amplo universo das diferenças de gêneros e práticas sexuais, a presente coletânea visa reunir trabalhos de diferentes áreas de conhecimento (ciências humanas, sociais, artes, história e geografia, literatura e linguagem, saúde e saberes psi, educação, entre outras), que se proponham a refletir sobre possibilidades e experimentações artísticas, metodológicas, analíticas e políticas de se pensar o sexo e o gênero para além dos fascismos binários cisheteronormativos. Especial atenção será dada a trabalhos que problematizam crítica e inventivamente a arena de produção de conhecimento sobre ou a partir das formas de experimentação sexual e de gênero.

Partindo do entendimento deleuziano de que criar é resistir, e desdobrando essa ideia para o campo das dissidências sexuais e de gênero, os organizadores deste livro inventaram o termo Kuirartistar na tentativa de desorganizar os marcadores identitários que também atravessam os debates da teoria queer. Nesse sentido, nos interessa aqui textos e ensaios que desorganizem, problematizem e subvertam a lógica biopolítica da docilização dos corpos, práticas e desejos. Interessa-nos textos e ensaios que reflitam sobre:

  1. Os processos inventivos de subjetivação em sua intersecção com os estudos queers, estudos feministas e de gênero, estudos culturais e decoloniais e interseccionalidades;

  2. Pornografia, cinema, literatura, música, artes visuais, artes da cena, performances e outras formas expressivas para pensar os universos do sexo;

  3. Diálogos entre arte, gênero e subjetividade;

  4. Experimentações artísticas, visuais e/ou performáticas que tensionem as fronteiras da academia, das linguagens artísticas e dos marcadores de gênero.

Normas para apresentação dos manuscritos

Os textos podem ser submetidos em formato DOC, DOCX ou RTF até 10 de março de 2020 exclusivamente para o e-mail: rogerio.melo.psi@gmail.com . Na primeira página do texto deve constar o título, nome des autores junto com endereço de e-mail e telefone para contato. Recomenda-se que os textos não excedam o tamanho de 10 laudas. A formatação deve seguir assim: fonte Times New Roman, 12, espaçamento 1,5, margens de 3 cm. Figuras e ilustrações devem ter pelo menos 300dpi de resolução em preto e branco, e indicação de autoria.

Referências e Citações:

As referências e citações (diretas e indiretas) seguirão o padrão da ABNT.

Critérios de seleção e prazos

A seleção dos trabalhos adotará como princípio os seguintes critérios de avaliação:

(I) Atenção ao interesse temático das propostas frente à chamada do edital público;

(II) A qualidade argumentativa e a criatividade temática na condução dos textos;

(III) Distribuição regional de autoras e autores de modo a garantir uma ampla representatividade regional conforme as propostas recebidas; O volume de trabalhos selecionados não será predeterminado, ainda que a editora se reserve ao direito de cancelamento do projeto caso as propostas encaminhadas não sejam suficientes para compor a obra ou não atendam aos critérios de avaliação. O resultado preliminar dos trabalhos selecionados para compor a coletânea será comunicado através do e-mail com a aprovação ou pedido de correções até dia 30 de julho. Aos autores e autoras contemplados não incorrerá ônus para o custeio da obra, sendo-lhes garantida também a cessão de até dois exemplares gratuitamente, além do direito autoral sobre seus próprios textos.

Da comissão avaliadora

As propostas encaminhadas serão avaliadas pelos responsáveis pela organização da obra, Rogério Melo (doutorando em Psicologia e Sociedade pela Universidade Estadual “Júlio de Mesquita-Filho”- UNESP, mestre em Psicologia e Sociedade pela Universidade Estadual “Júlio de Mesquita-Filho”- UNESP, membro do grupo de pesquisa PsiCUqueer – Psicologia, Coletivos e Cultura Queer e membro da Plataforma Queer SSEX BBOX Brasil) ; Fernando Silva Teixeira Filho (Livre Docente em Psicologia e Professor Adjunto ao Departamento de Psicologia Clínica e Professor Permanente junto ao Curso de Pós-Graduação em Psicologia – UNESP/Assis-SP; vice-líder do grupo de pesquisa PsiCUqueer – Psicologia, Coletivos e Cultura Queer) e Roberta Stubs, artista, pesquisadora e professora do curso de Artes Visuais na Universidade Estadual de Maringá, coordenadora do Grupo DOBRA: pesquisa em arte, subjetividade, educação e diferenças.

Quaisquer dúvidas podem ser encaminhadas para os e-mails publicações@editoradevires.com.br; rogerio.melo.psi@gmail.com.

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