CHAMADA PÚBLICA – “ENVIADESCER A DECOLONIALIDADE”

A Decolonialidade se configura como um campo político, teórico e metodológico que busca um enfrentamento ao legado do período de colonização na América Latina. Para tal, um grupo de homens pesquisadores e apenas uma pesquisadora fundaram em 1998 um coletivo denominado Modernidade/Colonialidade (M/C), cujos objetivos buscavam repensar e ao mesmo tempo potencializar as epistemologias dos povos originários das Américas e das populações africanas escravizadas nas diásporas atlânticas. 

As categorias Raça e Capital elucidaram os primeiros estudos do M/C, pois compreendem que “a colonialidade é um dos elementos constitutivos e específicos do padrão mundial de poder capitalista. Se funda na imposição de uma classificação racial/étnica da população do mundo” (QUIJANO, 2000, p. 342). Então, o foco das pesquisas decoloniais pautam as críticas ao capitalismo e suas articulações para garantir o lugar de subalterno dos povos negros e indígenas. 

Com o caminhar dos estudos decoloniais, alguns teóricos do M/C iniciaram, timidamente, um movimento de incluir outros marcadores sociais nas discussões teóricas. Dentre estes, podemos citar Grosfoguel (2008, p. 61) e sua exposição sobre o perfil do colonizador: “às Américas chegou o homem heterossexual/branco/patriarcal/cristão/militar/capitalista europeu”. É sabido que esta formatação de homem atende aos critérios eurocêntricos de civilidade e o que não se encaixa nessa padronização tem o direito à existência negado, não possui alma, deve ser compreendido como objeto e com aparato filosófico e religioso tem a sua escravização garantida e o epistemicídio como um caminho natural. 

Portanto, a modernidade instaurada, com a chegada dos europeus nas terras cunhadas como Americanas, trouxe formas de opressões de intensas violências sobre as corporalidades negras e indígenas. Também enxergavam as mulheres e LGBTQIA+ como indivíduos desviantes, vertendo o aniquilamento a esses desvios sob as aparelhagens da colonização. Com isso, não estamos exigindo uma reclassificação de opressões, muito pelo contrário, estamos problematizando que as discussões sobre gênero e sexualidade em um contexto colonial devem ser compreendidas como subalternidades e que estão no mesmo panorama de inferioridade das corporalidades advindas das caravelas. 

Dessa forma, o presente dossiê busca provocar o campo da Decolonialidade, a criar e visibilizar o lugar que a colonialidade do poder, saber e ser destinou às pessoas LGBTQIA+. A pesquisadora Lugones (2004), ao discutir o feminismo decolonial, afirma que o patriarcado chegou nas Américas junto com os valores civilizatórios eurocêntricos e, por conta disso, a perspectiva sobre modernidade deve abarcar no mesmo campo de discussão raça, gênero, classe e sexualidade. 

Pensando em uma perspectiva de Enviadescer (LINN DA QUEBRADA, 2016), mas não apenas ela, essa chamada-convite destina-se às pessoas que tangenciam suas escritas nessas paragens e rossagens decoloniais, despregando paradigmas trazidos pelas caravelas e propagados ainda no cotidiano sob formas atualizadas de preconceitos às existências escapadiças da norma. 

NORMAS PARA OS ARTIGOS 

Os textos completos deverão ser encaminhados para o e-mail decolonial@editoradevires.com.br, conforme as normas descritas a seguir: 

  • Os arquivos devem possuir formato .doc
  • Tamanho do papel no formato: A4 
  • Fonte: Times New Roman
  • Tamanho da fonte: 12
  • Espaçamento entre linhas: 1,5
  • Número de páginas: entre 8 e 15 páginas, incluindo as referências
  • Margens: superior e inferior 2,5; esquerda e direita 3,0
  • Alinhamento: justificado
  • Título: maiúsculo, centralizado e em negrito
  • Nome dx autora/autor: alinhado à direita, depois de uma linha de espaço do título
  • Vinculação institucional: abaixo do nome dx autora/autor, alinhado à direita
  • Endereço eletrônico: abaixo da vinculação institucional, alinhado à direita
  • Resumo com 2.500 a 3.000 caracteres com espaço, espaço simples entre linhas e três a cinco palavras-chave
  • Citações e referências devem seguir as recomendações da ABNT. 

CRONOGRAMA 

Envio dos Textos Originais- Até 01 de Novembro de 2020

Leitura e Seleção dos Textos Originais pelos Organizadores- Até 15 de Novembro de 2020

Envio dos Pareceres quanto aos Textos Originais às/aos Autoras/es Até 30 de Novembro de 2020 (30/11/2020)

Reenvio dos Textos Selecionados com Demandas de Revisão Até 10 de Dezembro de 2020

Compilação e Organização dos Textos Selecionados em Formato de Livro Até 22 de Dezembro de 2020

Envio da Obra Concluída para a Editora Até 24 de Dezembro de 2020

Lançamento do livro ATÉ ABRIL 2021

ORGANIZADORES / COMISSÃO AVALIADORA 

Eduardo Miranda. Professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), atua no Departamento de Educação e no Mestrado em Educação (PPGE/UEFS). Doutor em Educação (UFBA). Coordena o Grupo de Pesquisa Corpo-território Decolonial (CNPq/UEFS) e Coordena a Rede Sou Decolonial Brasil. 

Marta Alencar. Professora da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), atua no Departamento de Educação. Professora da Educação Básica de Salvador. Mestra e Doutoranda em Educação (UFBA). Coordena o Grupo de Pesquisa Corpo-território Decolonial (CNPq/UEFS) e Coordena a Rede Sou Decolonial Brasil. 

Rodrigo Pedro Casteleira, formado em Filosofia, Mestre em Ciências sociais e Doutor em Educação. Professor do Departamento de Ciências da Educação na Fundação Universidade Federal de Rondônia. Performer.

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