CHAMADA PÚBLICA COLEÇÃO “MIRADAS DECOLONIAIS” 2º CONJUNTO DE LIVROS

APRESENTAÇÃO

A decolonialidade, enquanto teoria e práxis, nos convoca a mirar nosso território geopolítico e geocultural a partir de perspectivas outras, que desconstroem as leituras eurocentradas da nossa história, dos nossos problemas, dos nossos dilemas. Nesse mesmo movimento, oferece respostas outras às nossas urgências: o fim da desigualdade social, da fome, do racismo estrutural, da desigualdade de gênero, da homofobia,  do genocídio, do epistemicídio, da concentração de terra, da destruição de nossas florestas.

Esse campo de estudos se estabelece no mundo acadêmico a partir de diversos pesquisadores latino-americanos. Da Argentina ao México, esses conceitos foram sendo forjados em sintonia com a necessidade de repensar categorias limitadas para ler nossas múltiplas realidades. Na última década, o interesse por essa rede de pensamento cresceu substancialmente no Brasil, abrindo caminho para pesquisas, reflexões e intervenções com vieses decoloniais.

Não se trata, entretanto, de uma espécie de novidade ou modismo acadêmico. E, sim, da sensibilidade para uma escuta ativa das diversas vozes que já ecoavam em nosso território afropindorâmico, como nos ensina Antonio Bispo dos Santos (2015). Vozes, corpos, sabedorias, cosmovisões subalternizadas que sempre lutaram por equidade, na  mesma medida em que foram inferiorizadas pelas colonialidades do poder, do saber, do ver e do ser.

Para Catherine Walsh, a decolonialidade nasce com um grito provocado pelas muitas dores que nos atravessam em nossa vida social. Falar de pedagogias decoloniais ou de práxis decoloniais, segundo ela, é “poder nomear, pensar, sentir, atuar e viver a partir das reflexões sobre essas lutas” (WALSH, 2018, s/p).

A coleção Miradas Decoloniais surge do desejo de reunir um conjunto de pesquisadores que se debruçam sobre esse campo de estudo-ação, na intenção de aprofundar, ampliar, aprimorar, difundir seus ensinamentos e suas ferramentas de leitura e intervenção em nossas sociedades.

Como sopra em nossos ouvidos Ailton Krenak, “a ideia de que os brancos europeus podiam sair colonizando o resto do mundo estava sustentada na premissa de que havia uma humanidade esclarecida que precisava ir ao encontro da humanidade obscurecida, trazendo-a para essa luz incrível. Esse chamado para o seio da civilização sempre foi justificado pela noção de que existe um jeito de estar aqui na Terra, uma certa verdade, ou uma concepção de verdade, que guiou muitas das escolhas feitas em diferentes períodos da história” (KRENAK, 2019, p.8).

Nosso chamado decolonial vem para confrontar essa suposta verdade única e, quem sabe assim, mudar o rumo das soluções que encontraremos para nossos f(r)uturos.

REFERÊNCIAS

SANTOS, Antônio Bispo dos. Colonização, Quilombos, Modos e Significações. Brasília: INCTI/UnB, 2015.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

WALSH, Catherine. Palestra proferida no IV Colóquio Colonialidade/Decolonialidade do Poder/Saber/Ser. Salvador, 2018.

NORMAS PARA OS TEXTOS ORIGINAIS

A coleção será composta por textos originais, que deverão ser encaminhados para o e-mail decolonial@editoradevires.com.br (com cópia para reinventaroolhar@gmail.com), conforme as normas descritas a seguir:

  • Os arquivos devem possuir formato .doc
  • Tamanho do papel no formato: A4
  • Fonte: Arial
  • Tamanho da fonte: 11
  • Espaçamento entre linhas: 1,5
  • Número de páginas: entre 80 e 120 páginas, incluindo referências e imagens
  • Margens: superior e inferior 2,5; esquerda e direita 3,0
  • Alinhamento: justificado
  • Título: maiúsculo, centralizado e em negrito
  • Nome da autora/autor: alinhado à direita, depois de uma linha de espaço do título
  • Vinculação institucional e/ou titulação: abaixo do nome da autora/autor, alinhado à direita
  • Endereço eletrônico: abaixo da vinculação institucional, alinhado à direita
  • Resumo com 2.500 a 3.000 caracteres com espaço, espaço simples entre linhas e três a cinco palavras-chave
  • Citações e referências devem seguir as recomendações da ABNT.

CRONOGRAMA

Lançamento do edital – 30 de Novembro de 2022

Envio dos Textos Originais – Até 30 de Janeiro de 2023

Leitura e Seleção dos Textos Originais pelos Organizadores – Até 30 de Março de 2023

Envio dos Pareceres – Até 15 de Abril de 2023

Envio do Texto Revisado pelx autora/autor – Até 15 de Maio de 2023

Lançamento do 2º Conjunto de Livros da Coleção – Julho de 2023

 ORGANIZADORES / COMISSÃO AVALIADORA

Fayga Moreira

Comunicadora Social, Mestre em Comunicação e Cultura, tem Doutorado e Pós-doutorado em Cultura e Sociedade. Trabalha há mais de 15 anos com temas como diversidade cultural, decolonialidade, equidade, políticas culturais, comunicação e cultura, tendo publicado diversos artigos sobre esses temas.

Cledisson Junior

Antropólogo e doutorando em Ciências Sociais na UFRRJ. Pesquisa religiosidade afro-brasileira e conflitos socioambientais envolvendo povos e comunidades tradicionais.

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